
Sylvia Cohin
Tão sábio o Tempo que não se repete,
guarda consigo o ciclo dos encantos
que de vividos,
fazem-se tantos,
sem que com isso a alma se aquiete.
É que no peito há sempre bem guardado
algum amor que já se fez passado
e de tão forte,
mesmo embaçado,
mantém-se vivo até depois da morte.
Tão sábio o Tempo, não lhe dá ouvido.
Caminha alheio, tão despercebido
que sem aparte,
sem alarido,
é mero palco, onde destarte,
Tudo é apenas um breve suspiro
dum Tempo que ofegante, eu transpiro.
E não importa
se descortino
quanto é fugaz, e sigo quase absorta,
enquanto o Tempo escreve meu destino.
SYLVIA COHIN
Imagem: Gustavo Fernandes – Pt
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