terça-feira, 3 de agosto de 2010


« O Mercador de Fantasia »
sylvia cohin

O bom Poeta que jamais se cansa,
Até dormindo cria um Canto novo.
Entre os anelos e um passo de dança,
Acena aos deuses e serena o povo.

Essa figura não raro bizarra
Que empunha a lira e canta seu cordel,
Oculta o pejo e solta a voz na marra
Para a platéia tanta vez cruel...

Se escuta apupo, finge que não viu
E faz mesura para o aplauso ameno
Enquanto enxuga a lágrima sutil
E morre um pouco do próprio veneno.

Pobre mambembe tão cheio de brio,
Que boquirroto, conta seus segredos,
Fecunda versos com seu melhor cio,
Chuleia rimas em seus tolos medos.

Mascateando suas libações,
O Mercador caminha e faz pregão;
Em seu varejo, invoca até Camões,
Entre as coxias, guarda o coração!

SYLVIA COHIN
Porto, 24.05.2008

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