
Fernando Peixoto & Sylvia Cohin
Em Maio descerás como maná
e direi: mulher, és o meu trigo!
o pão que abençoo pela manhã
o alimento que pró campo irá comigo!
Em Maio desabrocho com o frescor
que explode e rasga a terra eivada!
Leva o cheiro suculento e o sabor
do fruto a semear na terra arada!
Somos foice e braços, lado a lado
num Maio de papoilas e verdura.
Somos dois, rasgando como arado
a terra do Futuro com ternura.
Somos raízes de Maio medrando
destemidos, no chão da Esperança.
Somos o sopro da Vida ensaiando
a colheita generosa da bonança!
Somos dois, em Maio, erguendo a voz
quando o dia surge, inda menino,
e cantando nos sentimos menos sós
compondo ao mês de Maio o nosso hino.
Quantos mistérios Maio encerra...
Quanta promessa fecundando a Vida...
Somos pólen que emprenha a velha terra...
Estação que a Esperança consolida! ...
Somos dois, em Maio, e a sintonia
deste coral, a dois, tem mais beleza:
Vivermos Maio, a dois, é Poesia!
E connosco floresce a Natureza.
FERNANDO PEIXOTO & SYLVIA COHIN