segunda-feira, 22 de dezembro de 2008


A obra de Fernando Peixoto
é um legado de amor à Vida e à Humanidade.
Externou sua preocupação com o mundo em peças literárias
preciosas com a frontalidade que lhe foi peculiar,
sendo ele próprio, exemplo de sobriedade na vida que viveu.
Em sua homenagem e memória neste natal,
este poema que não conclama à tristeza, mas à
'consciência universal', em meio a tantas discrepâncias.
Sylvia Cohin




PARA AMARMO-NOS

Fernando Peixoto

Que sirva sobretudo o nosso amor
para mudar o que anda à nossa volta,
porque eu não posso amar com tanta dor
que acende no meu peito esta revolta.


Não quero sublimar o meu prazer
olhando para o lado, em detrimento
do que vejo, do que me faz doer,
e me traz a náusea, o sofrimento.


Para amarmo-nos temos de sentir
e traçar claramente a nossa sorte.
Para amarmo-nos temos de partir
numa luta contínua contra a morte.


Só então teremos o direito
de olhar de frente o mundo em desafio
buscando um ser mais livre e mais perfeito
terminando com este desvario.


Teremos de vencer este cansaço
que empurra o nosso corpo à letargia
e darmos nossas mãos, o nosso abraço
para erguer no Futuro um Novo Dia.


Amando desta forma travaremos
o cruel apetite da cobiça
e só das nossas mãos suspenderemos
o fiel da balança da Justiça.


FERNANDO PEIXOTO

Vila Nova de Gaia,
PORTUGAL, em 06 de janeiro de 2008
Obra Protegida pela Lei de Direitos Autorais 9.610
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