
Fernando Peixoto
Em Portugal são 39 minutos do dia 18 de Maio de 2005. Há largos anos nascia algures, em terras brasileiras, Clio, a musa da História, mas também aquela que deu a volta à sempre apaixonada cabeça de Eros.
Mais tarde, Clio acabou por dedicar-se às Letras, tendo mesmo produzido alguns dos mais belos poemas de amor escritos na língua de Camões. A sua arte poética é tão ornada de efeitos literários e de tão intensas cargas emotivas, que o deus do Amor acabou mergulhando nas águas límpidas e cristalinas dos versos de Clio. Hoje é possível encontrá-los ambos, de mãos dadas nos jardins de Apolo, com os corpos inundados do hidromel da Poesia, cantando em uníssono fascinantes ditirambos ao mesmo tempo que saúdam o reencontro com a Vida !
Como dói este amar-te sem te ver,
Guardar-te, mesmo assim, no coração.
É duro desejar-te sem te ter
Calar no silêncio esta paixão.
Como é duro, Amor, ter de sofrer
Da presença de ti a privação,
Esforçando-me, Amor, por esquecer
As agruras de tanta solidão.
Moído de saudade, eu acalento
O sonho de viver esse momento
Em que há-de terminar a nostalgia.
Sonharemos, então, de olhos abertos,
De mãos dadas, felizes e libertos
Descobrindo o Futuro nesse Dia.
FERNANDO PEIXOTO
Portugal, 18.05.2005
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NOTA: "EROS"/"DIONÍSIO" (FERNANDO PEIXOTO), e "CLIO" (SYLVIA COHIN),
foram pseudônimos usados pelos autores EM MUITAS PARCERIAS POÉTICAS.
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