sexta-feira, 8 de maio de 2009


« Desta Mãe »

Sylvia Cohin,
« para seus filhos »


Os sonhos que sonhei desde menina
E o tempo em seu capricho esmaeceu,
Revivem nesse outono e na retina
Quando contemplo cada filho meu...

O tempo vai passando e revigora
Esta certeza que me leva além:
Se neles sigo, Eterna, vida fora,
Em mim, eles são Luz que me sustém.

Quando os estreito cheia de emoção
- não há outra palavra que defina -
São eles meu Altar de Adoração,
A chama que meus olhos ilumina

Escrevo então, meu verso mais singelo,
E embriagado desse amor intenso,
Maior que os sonhos, sinto aquele anelo
Que me faz Vida, quando neles penso.

Por eles me fiz nau que não soçobra
Singrei o mar no traço do destino...
Co'as fibras de um amor que se desdobra,
Eu fui Mulher e Mãe sem desatino.

O abraço que nos une, é como um Porto;
Escola sempiterna da aprendiz
Que sou, aqui confesso, e não me importo:
Meus filhos, grandes mestres, sou feliz!

SYLVIA COHIN


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quarta-feira, 14 de maio de 2008

« MÃE, PROCUREI... »

Sylvia Cohin

Revirei o baú de nossa história
sem saber muito bem o que queria,
se um poema falando de seu Dia,
ou as rimas pra louvar a sua Glória...

No baú de poeira envelhecido,
tanta coisa impregnada de você,
como pauta dormitando à mercê
de um cantar, relembrando o esquecido...

Na mescla dos guardados encontrei
um amor repartido por igual;
Quanto tempo de um zelo pontual
a dizer com doçura: "só amei"!

O porta-jóias tímido ensaiava
cantigas de ninar que ainda em nós,
ressoam como o tom de sua voz
entre os ralhos e risos que entoava...

Li na pauta de sua melodia
a elegância de seu jeito precioso,
o requinte discreto e operoso
da Lição de ser Mãe e Eucaristia...

Um lenço de cambraia dobradinho
guardava o pranto oculto e amarelado
que nunca foi por nós compartilhado
no quente do seu terno e doce ninho.

Mãe, onde foi buscar este sorriso
que seu rosto ilumina de emoções
e perdura através das gerações,
nesta vida que é sempre um improviso?

Mãe tão sábia, seu Diploma é a Lida.
Sua Escola vale mais que os lauréis
que ostentam por aí os bacharéis,
erguida com o Labor de sua Vida.

A Virtude tem sido o seu Troféu,
sua herança para a posteridade
que nos dá essa Paz de estar no Céu
e ao Viver, o sabor de Eternidade...

SYLVIA COHIN
11 de Maio de 2008

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