quinta-feira, 7 de agosto de 2008

« CONTRATEMPO »

Sylvia Cohin

Que amor é este que surpreende?
Que descompasso, quanta agonia!
Certo é, que o amor ninguém entende
E se opõe à razão com rebeldia...

Quem acalma este inquieto coração
aflito, sufocado de emoção?
E ri de mim, o desalmado!
Melhor que eu, sabe o que quer,
Por quem palpita... afogueado!
Bate apressado, bate ligeiro,
Num rodopio dentro de mim
Faz o que quer, o desordeiro,
Numa balbúrdia que não tem fim
Pois sempre soube por quem pulsava,
De minha espera, ria e zombava.

Fugiu de mim, o bandoleiro
E noutro peito, muito mansinho,
Fez a morada mais que ligeiro...
Aconchegou-se em outro ninho.

Faz tanto tempo te conhecia,
Que antes de mim (que ironia),
Apaixonou-se. Te amou primeiro!

SYLVIA COHIN

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sexta-feira, 19 de outubro de 2007

« CATIVANDO »

Sylvia Cohin & Fernando Peixoto

Eu te prendo em meu jardim
no mais doce cativeiro,
se fizeres prisioneiro
todo o amor que mora em mim...

Como vou prender primeiro,
se sou eu o prisioneiro?
Cativa-me tu a mim
na prisão do teu jardim.

Nas grades das tuas rosas
me sinto um preso feliz
porque as pétalas formosas
me riem quando sorris.

Minhas grades são de rosas
mas também são de jasmim
eu te prendo toda prosa
se também sorris pra mim...


Eu sinto-me hipotenusa
nos teus braços de catetos
e do teu rosto de musa
sou cativo dos afectos.

Eu sinto-me teorema
nesta perfeita equação:
estou presa sem algema
dentro do teu coração..!


Sylvia Cohin & Fernando Peixoto



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