domingo, 12 de abril de 2009


« ETÉREA »

Sylvia Cohin



Sou viajante que esvoaça ao vento,
De Zéfiro, frescor celestial
A navegar em rimas que eu invento
Em récitas pro Cosmos imparcial.

Vagueio livre na amplidão do espaço
De onde ponteio meu encantamento
E em sintonia, de mim me desfaço,
Só pra cantar contigo o teu lamento...

Faço-me brisa morna que te afaga
E entre volteios essa dor transpasso
Rindo da vida sempre tão aziaga,
Aqui e ali, ato e desato um laço...

Com paciência e muita simetria,
Vou escrevendo as páginas da saga
Colando risos sobre o que agonia,
Como se fora o sopro que embriaga.

Mas a verdade é esta afirmativa:
De ti sou parte, como já sabias,
E porque ando às vezes tão furtiva,
Fica somente o rastro das folias...

"Assim se vive" - como se adjetiva -
E pouco importa se pareço aérea!
Essa junção que sabe a compulsiva,
É nossa carne que se fez etérea.

SYLVIA COHIN
(28.02.2005.)


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sexta-feira, 20 de junho de 2008

« ABSTRAÇÕES »

Sylvia Cohin

há momentos que nem sei dizer
de quanto estou entre lá e cá,
do que se perdeu dentro de mim...

há momentos que nem sei se me enganei
pensando que era mais além, acolá,
ou se nada havia em nenhum lugar...

há momentos que me confundo,
e envolta numa trilha nevoenta,
invento um mundo que nunca existiu
além de mim...

olhando a esmo sem nada entender,
acabo crendo que é só projeção
etérea e irreal...
o mais provável: tudo verdade, e eu,
uma invenção...

SYLVIA COHIN
20 de Junho de 2008

Mantenha o crédito de autoria
Obrigada

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