
Fernando Peixoto
Tem apenas doze anos o miúdo!
Doze séculos, já, de frustração,
Doze séculos inteiros de absurdo
E poucos, muito poucos de ilusão.
Doze anos num rosto de graúdo
E tantos, já, na luta pelo pão!
Meu menino lindo a quem falta tudo!
Meu menino, meu filho, meu irmão!
Teu corpo frágil move-se na dança
Horripilante dum trabalho duro
C'o a música das máquinas por fundo.
As tuas mãos, pequenas, de criança,
Ganham calos brincando c'o Futuro
Enquanto esperas que melhore o mundo.
FERNANDO PEIXOTO
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