segunda-feira, 23 de julho de 2007

« Para Lá do Poema »

Fernando Peixoto

Pode calar-se o grito
pode queimar-se o papel
em que o poema estava escrito
pode mesmo matar-se o poeta
mas o Poema
esse é feito de eternidade
e resiste para além do medo
estilhaçando o mármore dos túmulos
e cavalga sobre o algodão das nuvens
até às galáxias mais longínquas
do universo da quimera

O Poema viverá para lá do poeta
porque o poema é o seu sémen
atirado ao futuro
para que germine no útero do sonho
Ninguém pode sepultar um poema

FERNANDO PEIXOTO





9 Comments:

Blogger Zé Carlos said...

Fernando amigo, ninguém seria capaz de fazer germinar algo com a confiança de um nascer perfeito... como só tu fazes...
Abraço, Zé

23 de jul de 2007 18:12:00  
Anonymous Emilia Possídio said...

Oi, Fernando, este é o poema que eu gostaria de ter escrito. Completo, maravilhoso! Bom ser leitora do Chave da Poesia. Somente assim, com acesso a esse espaço tão rico, posso me dar ao direito de dizer com você:
-"Ninguém pode sepultar o Poeta"...
Ninguém o calará, jamais!

23 de jul de 2007 18:58:00  
Anonymous Cleide Canton said...

Amigo Fernando
É o poema a semente que germina em qualquer solo, na água ou no ar, porque nada necessita além do que já está na sua essência. Basta apenas um olhar para fazê-lo desabrochar e esse primeiro olhar é o do seu próprio criador.
Lindos versos! Não morrerão.
Abraços
Cleide

23 de jul de 2007 19:03:00  
Anonymous Anônimo said...

Amigas Cleide, Emy e Amigo Zé:
Agradeço as palavras, não pelo elogio, mas pelo afecto que transmitem.
Um abraço fraterno do
Fernando Peixoto

23 de jul de 2007 20:50:00  
Blogger Poemas e Cotidiano said...

Fernando: Que poder nas palavras! Belissimo poema! Digo: BELISSIMO!
De uma profundidade tamanha que ate assusta!
Lindo!
Beijos
MARY

24 de jul de 2007 14:44:00  
Blogger Sophiamar said...

Fantástico este poema.Bravo, Poeta! Para quem gosta de poesia encontrar algo com tanta beleza é entrar no paraíso, no universo do sonho.O Poema e o poeta são parte integrante um do outro, indissociáveis. Nenhum morre. Estão para além do tempo.
Beijinhos

25 de jul de 2007 05:10:00  
Anonymous poesis said...

Ninguém cala...o poeta, em tempo de caladuras, Belo Grito!

25 de jul de 2007 15:28:00  
Blogger Vera Vilela said...

Belíssimo, uma conclusão extremamente inteligente e ao mesmo tempo poética e eterna, como você mesmo o disse.
Lindo!

27 de jul de 2007 09:58:00  
Anonymous Marise Ribeiro said...

Fernando, estou aqui à convite da Sylvia e fiquei maravilhada com o blog. Adorei tudo aqui editado e deixo aqui, neste grandioso poema, os meus aplausos, extensivos a todo blog.
Parabéns!
Marise Ribeiro

9 de nov de 2007 12:51:00  

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