SÓ A NOITE

os cabelos pesados da neblina
que, de súbito, se abate na cidade.
A noite avança e penso em ti
como a única estrela que ilumina
o céu imenso, inteiro, escuro,
pedaço de universo em que procuro
o teu rosto astral de claridade.
Mas em vez do teu rosto, eu só descubro
o canto nocturno destes medos
que se escondem no cofre dos segredos
e se expandem em nuvens de saudade.
Fernando Peixoto